Thursday, 6 November 2008

TRILOGIA TEATRAL DE OSWALD DE ANDRADE

As peças de Oswald de Andrade escritas a partir de 1933 caracterizaram uma parte nebulosa de sua vida. A crise que atingiu o mundo em 1929 também acarretou grandes problemas financeiros a Oswald, uma desestabilização financeira, e emocional, que lhe rendera cerca de cinco casamentos. Logo no início do Séc. XX, Oswald se filiou ao maior partido de esquerda do Brasil, na época, o PCB (Partido Comunista Brasileiro).

Consequentemente os textos teatrais do autor carregam grandes traços de influência esquerdista, e refletem essas fases complicadas da sua vida.
A trilogia teatral de Oswald trata de temas que relatam à transformação, e criticam a visão capitalista da sociedade como em O homem e o Cavalo. Dramatiza uma fase negra e de conflitos sociais em O Rei da Vela, e termina no Romantismo utópico em A Morta.

O homem e o cavalo (1934) refletem a transformação da sociedade brasileira da época e entre uma visão otimista dos pobres e a realidade socialista. A peça variava entre a consciência normal do homem e as imaginações utópicas do autor.

O Rei da Vela (1933-37), apresentada mais de trinta anos depois de ser escrita, foi considerada uma das obras mais importantes do autor.
Tratava da situação de duas classes brasileiras da época, a burguesia que enriquecia com seus tramites de agiotagem, e o proletariado derrubado pela crise financeira que abalava o mundo em 1929, no qual o próprio Oswald estava incluso.

Trata-se de uma peça de crítica política com um senso sarcástico e agressivo,
pode-se dizer que refletia a indignação do autor devido aos problemas que ele e a sociedade passavam naquelas circunstâncias. O Rei da Vela gerou grande polêmica, houve quem amou e também quem odiou, mas não houve indiferentes.

A morta (1937), com uma influência capitalista e marxista, reflete um lado negro da sociedade e faz narrações críticas de uma política ilusória.
Oswald retratava as dificuldades do país quase em todas as suas peças,
usava o teatro como meio de ataque ao governo, e devido a isso muitas
vezes foi barrado de apresentar suas obras devido ao grande sensacionalismo com que as criava.

A Morta é uma obra que pode ser vista de várias perspectivas diferentes, dependendo da cultura e nível social que a pessoa tem. Ela mostra um retrato da época que predominava o romantismo, mas também serve como um jogo textual de critica a sociedade.
Muitos consideram a mais poética de todas, ela narra o custo que a sociedade estava pagando para transformar o mundo.

Na atual visão da literatura brasileira Oswald foi um dos mais irreverentes poetas, é um tipo de texto onde o leitor se insere na trama, as palavras situam e colocam o ser humano no seu lugar dentro da sociedade.

Sua forma inusitada de contar a saga das pessoas produzia desde as críticas do clero, as risadas dos humildes. Em qualquer obra que seja de sua autoria, a transgressão de valores sociais é a característica mais presente, ele fez uso da arte para expressar o que ficava reprimido. Subliminarmente expressava sua ideologia, e fazia seus ataques ao governo expressando a sua indignação.

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