Thursday, 1 March 2007

Trabalho Involuntário

O desemprego afeta cada dia mais nossa nação, a notícia pior é que nem para trabalhar de graça hoje em dia há vaga neste país.Até que trabalhar de graça, e receber o salário mínimo não faz tanta diferença.

É incrível como te mos tantos voluntários e trabalhadores dispostos a trabalhar gratuitamente, e ao mesmo tempo termos tantos problemas sociais a serem resolvidos? Nessas horas nos perguntamos, o que falta neste país? Talvez pessoas melhores capacitadas, gerentes, administradoras, alguém que leve o nosso meio campo.

A origem do desemprego está na equivocada visão economicista, que acredita que o desenvolvimento depende exclusivamente da estabilidade econômica, algo que se persegue há vinte anos. De um ambiente econômico propício, o crescimento emergiria naturalmente.

Alguns empreendedores pensam que ainda estamos nos tempos de Adam Smith e Karl Marx, que acreditavam que um pouco de ganância e capital seriam suficientes para gerar empresas e empregos. Já se foi o tempo em que ”agentes econômicos”, com um mínimo de “espírito empreendedor”, abriam empresas bem-sucedidas.

Para montar uma empresa e ter sucesso, não é tão fácil quanto se imagina, são necessários sólidos conhecimentos práticos e teóricos de administração de empresas. Oitenta por cento das empresas brasileiras quebram nos primeiros cinco anos. Só que o Brasil formou nestes últimos vinte anos menos de 250.000 administradores de empresas. O Conselho Federal de Administração tem menos de 90.000 inscritos.

Aí está a principal razão para o nosso desemprego, a desorganização de nossa economia e a estagnação econômica. Com 4.650.000 empresas, nem sequer temos um administrador por empresa.

De 1,5 milhões de formados pelas nossas universidades federais e estaduais, somente 4,5% são de administradores de empresas. Muitos governos foram contra esses cursos, coisa da direita a ser custeada pela iniciativa privada e não pelo Estado. Os próprios empresários achavam esses cursos desnecessários, já que suas empresas seriam geridas pelos filhos, treinados pela família, e não por administradores profissionais. Raras são as faculdades de administração no Brasil com nome de grandes empresários, como ocorre nos Estados Unidos.

O Ministro da Fazenda acredita que o país crescerá na hora que ele achar oportuno. Os planejadores, do outro lado, acham que sete economistas estrategicamente colocados farão o país crescer na intensidade e direção que eles determinarem. Mero engano. A mão invisível de Adam Smith não funciona mais no mundo moderno. Toda nação requer a mão firme e visível de centenas de milhares de pessoas treinadas e preparadas para criar empregos e organizações. Até para gerir voluntários que trabalhem de graça.

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