Sunday, 31 January 2010

Publicada em Jornal da Lagoa -Muitas viagens e poucas bagagens

A política parece nunca decidir nada de muito útil. Ricos e influentes disputam a popularidade das câmeras, mas na verdade se escondem atrás da dor na consciência, sabendo que podem fazer tanto e acabam sempre fazendo nada.

Enquanto os figurões desfilam posições de status, acenando livremente as mãos para o povo, dizem ter as mãos atadas diante de fatores calamitosos na sociedade. O prestígio da vitória é apagado pela vergonha do desmascaramento. A sociedade deveria estar perplexa com o número de pessoas deixando sua verdadeira essência de lado, para viver uma dupla personalidade.

O que fazer para mudar a sociedade, quando simples direitos são revogados, por burocracias estúpidas dos próprios homens, que boicotam a segurança pública, saneamento e fingem não ver o que se passa bem a frente dos olhos.

Alguns lutam pelas pessoas, outros lutam pelas coisas que elas podem oferecer. A vida prossegue, o relógio anda sempre para o mesmo lado, ninguém é capaz de parar o tempo e ver o que realmente está prestes a acontecer. Estamos à beira de um colapso terrestre, um colapso de sentimentos e ideologias.

Quando se trata de éticas e valores perdemos o respeito por nós mesmo. Pelo nosso corpo, pela nossa família, pelos nossos bens. Vendemos nossa alma e nossa maneira de pensar, assim que enxergamos algumas cifras no bolso, nas meias, e nas cuecas de vez em quando.

Será que estamos comercializando nossa dignidade, nossa coragem de lutar por aquilo que realmente sonhamos, simplesmente por que a idéia de alguém parece mais lucrativa? Acabamos sendo explorados por gente mal intencionada, e abrimos dos nossos sonhos particulares, para fazer a vontade dos sujeitos sociais.

Até quando vamos concordar com tanta hipocrisia? Até quando vamos ficar de braços cruzados vendo a soberania inútil de algumas autoridades findarem o sonho da população?

Esperamos que no final dos nossos sonhos, ou quem sabe das nossas ilusões, possamos levantar a cabeça e ver que onde vivemos, seja o país, o estado, a cidade, o bairro, não é apenas um brinquedo que herdamos da infância, é uma responsabilidade que deve ser passada adiante por cada um de nós em boas condições.

Ben-Hur Scheidt - Editorial Jornal Folha da Lagoa - 2° quinzena de Janeiro - 2010

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