Sunday, 22 April 2007

Combate ao uso do cigarro aumenta no Brasil

Atualmente o maior exportador de tabaco no mundo é o Brasil, mesmo diante desse título, o país vem se destacando internacionalmente nas ações de combate ao fumo. Estados Unidos e Canadá, se comparados ao Brasil no programa nacional de controle do tabagismo, obtêm resultados menos significativos.

Em 15 anos, houve uma redução de quase 50% na prevalência de fumantes na população brasileira – em 1989, a prevalência era de 32% e passou para 19% em 2006. Uma das iniciativas nesse sentido foi a inclusão de imagens fortes nos maços de cigarro

Países como Austrália e Tailândia, também obtiveram fortes impactos no modelo de prevenção criado pelo Brasil. A chefe da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Tânia Cavalcanti, explica que esses países passaram um ano testando as imagens usadas no Brasil. Com isso, constataram o impacto provocado por elas no aumento da consciência da população sobre os riscos do fumo e da motivação para abandonar a dependência do tabaco.

Em seguida, esses países criaram imagens semelhantes às brasileiras, como a foto do feto abortado e a que retratam vítimas do câncer de pulmão.
As imagens usadas nos maços de cigarro do Brasil estão disponíveis nos sites do Inca, da Anvisa e do Ministério da Saúde”, lembra Tânia. “Qualquer país pode ter acesso a elas para fazer os testes de impacto, mas para usar definitivamente é preciso autorização do governo”, acrescenta.

Controlando as mensagens subliminares

O Programa Nacional de Controle ao Tabagismo proibiu o uso da seguinte frase “Produtos para maiores de 18 anos”, veículada pela indústria do tabaco. A frase foi trocada por “Venda proibida para menores de 18 anos”.

O Ministério da Saúde afirma que a mensagem passava para os adolescentes, de forma subliminar e provocativa, a idéia de que o cigarro é um passaporte para uma vida adulta. A nova frase transmite a mensagem diretamente ao vendedor, informando-o que ele está sujeito a penalidades caso venda o produto para menores.

As empresas que distribuem o produto, também obrigatoriamente, têm de fazer o uso de 42 mensagens de prevenção, atrás das embalagens dos maços. As mensagens foram elaboradas pelo Ministério da Saúde, e estão disponíveis também no site da Anvisa.

Novas leis para lugares Públicos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária também tem propostas para regulamentar as áreas de fumantes em locais públicos e ambientes fechados no país. Foi aberto uma consulta pública sobre a proposta, que tem o projeto de criar um padrão diferente para os locais de fumantes, que atualmente só podem fumar ao ar livre ou áreas coletivas arejadas especificadas.

Segundo a Anvisa, o projeto deve-se a preocupação com os riscos causados aos não-fumantes, sendo que seria criado salas próprias para o uso do tabaco. "Estamos protegendo essa população dos malefícios do tabaco. A criação das áreas exclusivas para fumar é porque, apesar das placas de fumantes e não-fumante, a fumaça não lê isso", ironiza o gerente de Tabaco da Anvisa, Humberto Martins.

O projeto prevê salas com espaço de 4,8 metros quadrados e no mínimo 1,2 metro quadrado por fumante, as salas deverão conter sistemas de climatização para conter o acúmulo de fumaça. O local terá frases de advertências, e cinzeiros com caixa de areia.

"Essa regulamentação vai ajudar a acabar com a área de fumantes e não-fumantes em bares e restaurantes, aqueles que não se regularizarem as normas, terão que proibir o fumo dentro de seus ambientes", disse Martins.


Ben-Hur Scheidt para Agência ABJ Notícias 22/04/2007

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