Thursday, 1 November 2007

Brasil: Ficção e Realidade

Após a pré estréia do filme “Tropa de Elite” no país, o trabalho policial, começou a ser mais questionado, elogiado e descriminalizado. O filme que mostrou a rotina árdua de alguns policiais com suas famílias deixaram muitos tocados pelo trabalho perigoso que prestam a sociedade, também mostrou cenas de corrupção, violência e uso abusivo de poder.

A ficção muitas vezes acompanha a realidade, após a saída da porta de um cinema em algum estado brasileiro, você pode se tornar um protagonista da realidade nacional. Uma história de cinema, ou quem sabe uma realidade de alguns países do oriente médio? O Brasil também traz suas histórias que poderiam virar uma trama ficcionista de sucesso, se infelizmente não fosse o que vivemos diariamente.

“Cinco horas após o ataque ao trem que viajavam os ministros das Cidades, Márcio Fortes, e da secretaria dos Portos, Pedro Brito, a policia invadiu a favela do Jacarezinho na zona norte do Rio, a fim de achar os supostos atiradores, que metralharam o trem enquanto passava próximo a localidade. Até parece que os responsáveis pelo atentado ficariam dando plantão de bobeira no lado do trilho.

Acho que a polícia do Rio, anda meio atrasada, não só em horários, mas em armamentos. Os policiais entraram na favela munidos de seus cassetetes e seus revólveres 38, e saíram de lá com três fuzis e algumas granadas. Bandidos desenvolvidos esses não? Os policiais entraram no Jacarezinho a mandato do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), talvez o número de militares que atuaram na operação assustou os “terroristas brasileiros”, que resolveram dar uma apaziguada e acabaram cedendo o confronto, onde Nelson Santana da Rocha, “apontado” como criminoso foi morto.

Nessas horas qualquer individuo andando na rua pode ser apontado como um “perigoso criminoso”. Será que Nelson sabe atirar? Enquanto isso recomenda-se ninguém brincar, nem de tiro ao alvo no Rio, segundo o secretário da Segurança, José Mariano Beltrame “ Quem der tiro, vai levar também. Não vamos permitir que isso passe em branco”, disse.”

Seria um bom roteiro pra qualquer filme de ação, mas foi mais um dos inúmeros confrontos entre policia e bandido nos últimos meses no Rio. Cenas de helicópteros perseguindo bandidos, carros em perseguições tornam-se cada vez mais comuns para nós brasileiros, as ações dos bandidos e da policia, triplicam o índice de audiência televisiva, e para alguns torna-se um espetáculo com direito a pipoca e refri.

Realidade não muito distante

Uma realidade vista na T.V, mas não muito distante de nós. Na cidade de Artur Nogueira interior de São Paulo, muitas queixas são feitas, reclamando do uso abusivo de poder dos policiais da cidade, como o caso do pintor de 31 anos, Emerson Filipini Paulosk.

Paulosk conta que no dia 26 de outubro deste ano, em uma das ruas de Artur Nogueira durante a madrugada, à caminho de casa, foi abordado por dois guardas da policia militar,que o confundiram com algum marginal. Paulosk apanhou dos policiais, levando vários chutes no corpo, na cabeça, causando muitos hematomas. Ele afirma que depois das agressões foi levado para o pronto socorro municipal, onde foi medicado e depois liberado.

Isso revela a preocupação e respeito pelos cidadãos, tão defendidos pela policia militar. A delegacia de Artur Nogueira conta com dois investigadores apenas, que realizam seus trabalhos com as viaturas da policia, que por muitas vezes encontram-se em péssimas condições. A Cidade que possui pouco mais de 40 mil habitantes tem somente dez policiais que se revezam, fazendo as rondas e atendendo as ocorrências diárias. Nos últimos anos cresceu grandemente o número de furtos de automóveis na cidade. A própria sede da Delegacia, encontra-se em péssimas condições de infra estrutura, e não traz algum tipo de segurança para os infratores que são presos e mantidos lá, até serem transferidos para o presídio do município de Santa Bárbara. Os presidiários passam por exames feitos no IML, algumas vezes medicados no Pronto Socorro da cidade e depois transferidos.

No dia 27 de outubro, dois indivíduos que foram apanhados em flagrante, furtando um forno microondas, aguardavam a transferência para o presídio de Santa Bárbara na delegacia da cidade. A cena trazia na mente imagens da época da escravidão no Brasil. Um dos sujeitos sem camisa, sujo em algumas partes do corpo por lama, a expressão do rosto mostrava marcas de açoite, enquanto consolava seu filho pequeno que estava junto de sua avó, suposta mãe do sujeito. O outro elemento, de aparência jovem, fumava um cigarro, e parecia acostumado com a situação, os dois estavam presos por algemas nas mãos, e interligados por outra nos pés, eles aguardavam no pátio da delegacia, enquanto os policiais tomavam seus cafés, sem dar algum tipo de supervisão na cena que acontecia lá fora. O descuido falta de estrutura física e de condições de segurança, revelam a identidade da policia regional.

As maiorias dos boletins de ocorrência feitos na delegacia são de casos de violência doméstica contra mulheres, e as várias chamadas que recebem do 190, também são por esta causa, geralmente segundo o investigador Antônio Carlos, essas ocorrências são atendidas quando não há outras de maior urgência. Antônio diz que a rotina semanal dos funcionários da delegacia é de 40 horas semanais, sendo que os plantonistas têm de 10 a 12 horas de trabalho por dia, até mesmo em horários inusitados quando se encontram em casa.

Todos esses fatos mostram o comprometimento que a policia tem com seu trabalho, e isso é admirável, mas não mostra os muitos tipos de desrespeito cometidos contra os cidadãos. Estamos e vivemos numa fase de cão e gato, de um lado a policia e seu poder outorgado pela sociedade, de outro criminosos, bandidos que se auto agregam poderes em busca de suas vontades, e no meio disso tudo a sociedade. Homens, mulheres, crianças e inocentes que por muitas vezes pagam com a vida, os transtornos causados por essa guerra, que já não é mais ficção, mas é nossa realidade.

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