Friday, 5 December 2008

A Rua é de Todos-Capítulo 6

Projeto Abordagem de Rua

Segunda-feira, tarde nublada, Florianópolis. Acompanho Irma numa xícara de café, no quinto andar do prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social no centro da cidade. Cabelos curtos e pintados escondendo os fios grisalhos, estatura baixa, óculos na ponta do nariz e olhos profundos, Irma Remor, coordenadora do projeto Abordagem de Rua, está há mais de dez anos pelas ruas recolhendo e tratando pessoas que vêm de fora ou que abandonam seus lares.

Durante a conversa, diz que os problemas com os moradores de rua em Florianópolis já foram piores. Desde 1992, juntamente com a prefeitura, desenvolve o Abordagem de Rua, mas o projeto inicial só funcionava para as crianças e adolescentes. No início, a retirada do pessoal das ruas do centro da capital não vinha tendo sucesso. Os adultos eram simplesmente abandonados pelo serviço público municipal.

O problema já vinha se alastrando há tempo. A superlotação no Largo da Alfândega e na Praça XV já não era mais contida. A falta de um programa social era refletida claramente na cidade desde as praças do centro, até embaixo das pontes que ligam a ilha ao continente. Dona Irma relembra os contrastes que eram vistos na cidade, a alegria e as cores do comércio durante o dia davam lugar à tristeza e a insegurança à noite.

A partir do ano de 1996, o projeto Abordagem de Rua, começou a prestar atendimentos aos moradores de rua adultos da capital. Era o único órgão público que realizava algum tipo de atendimento a essas pessoas. Sem estrutura e nenhum investimento o projeto acabava não atendendo todos que precisavam.
“Nós não tínhamos equipe técnica para prestar esse tipo de atendimento,” – ela conta – “Então focávamos mais nas crianças de rua, pois éramos amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”.

Somente em 2001 o projeto foi revisto e redimensionado voltando a funcionar, com profissionais qualificados. Uma equipe formada por uma Coordenadora- Assistente Social, seis educadores sociais, quatro assistentes, dois estagiários, sendo um administrativo e outro na área de serviço social.

Agora com profissionais técnicos e especializados somente para desenvolver esse tipo de atividade. Parecia que os problemas seriam solucionados, mas nem todos os problemas dos moradores de rua, poderiam ser resolvidos pelo Abordagem.

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