Tuesday, 29 September 2009

Crença

Festa é tradição no Aririú

Há 21 anos atrás, a dona de casa de 52 anos, Elza Ermínia do Amaral, começou um legado no bairro do Aririú em Palhoça. Ela reuniu cerca de 30 crianças em sua casa para comemorar a festa de São Cosme e Damião, distribuindo balas e doces arrecadados na comunidade. Segundo a mitologia grega, os santos eram gêmeos amigos das crianças, e teriam a capacidade de agilizar qualquer pedido que lhes fosse feito em troca de doces e guloseimas. O nome Cosme significa "o enfeitado" e Damião, "o popular". No Brasil a data é comemorada no dia 27 de setembro.

A idéia de Elza, tomou força com o apoio de sua amiga Marli Hinckel, 52 anos, devido a admiração que ambas tinham por São Cosme e Damião. Elas notaram que os santos quase nunca eram divulgados e ninguem sabia da história que os acompanha. Elas resolveram arrecadar balas e doces na comunidade, e os produtos que faltavam, as duas pagavam do próprio bolso.

“Ainda lembro quando faziamos o suco nos baldes, e mal tinhamos condições de comprar um bolo”, comenta Elza. A casa não era tão enfeitada, a criançada era pouca e a comida não dava pra todo mundo, porém, a alegria era contagiante. Mesmo com todas as dificuldades e falta de apoio, o tempo foi se passando e ano após ano, a dona de casa nunca deixava que a data passasse em branco. Elza começava um projeto quem nem ela imaginava o tamanho da repercurssão.


De avó para os netos

Sua filha Sabrina Amaral, de 20 anos, nem era nascida na época que iniciou a festa. Ela se orgulha pelo esforço de sua mãe para manter a festa que virou tradição no Aririú, e dá continuidade a história da familia através do seu filho Guilherme, de dois anos. “Crianças que participaram nas edições anteriores, hoje levam seus filhos”, comenta Sabrina.

Vizinhos, amigos e parentes ajudam na organização do evento, que reúne cerca de mil crianças todos os anos, mas ainda carece da participação e parcerias para cobrir as despesas. “Nós produzimos tudo na minha casa, alguns amigos me ajudam a fazer os cachorros-quente, os bolos, mas ainda falta um lugar mais amplo pra gente realizar a festa. Todo o ano é um problema”, declara Elza.

Da rua para o salão
Este ano nem a rua, e nem a casa de dona Elza sediará a festa da criançada, mas os visitantes vão prestigiar a festa no salão de eventos da Associação do Imperatriz, que fica na comunidade, mas ainda não se tem certeza pra onde deverá ir no próximo ano. Para os pequenos não importa onde seja, tudo é festa. A garotada se encanta pelas guloseimas que dona Elza prepara,. “Tem de tudo na festa, bolo, doce, cachorro quente, refrigerante, pipoca e tambem atividades para as crianças”, diz a dona de casa Marli, que mora na comunidade e nunca perde uma edição.
Os gastos estimados com a festa, segundo Elza, giram em torno de R$ 5 mil. Só para este domingo estão previstos mais de 20 bolos, 3 mil cachorros quente e 2,5 mil sacos de pipoca. O evento iniciará ás 13 horas de domingo. E quem achou que a festa se limitaria apenas a algumas edições, dona Elza rebate com grande estilo: “Quero estar viva ainda para passar a tradição para os meus bisnetos”, brinca a idealizadora.

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