Wednesday, 7 October 2009

Projeto

Construindo a cidadania
Uma ação social que começou no ano de 2000 deu início a uma associação que hoje atende mais de 150 crianças do Brejaru e Frei Damião. A Associação Pró-Brejaru, é uma entidade que atende crianças no contra turno escolar, com o objetivo de ocupar esse espaço vago das crianças, com atividades que ajudem a promover a inclusão social.

É quarta-feira, 30 de setembro, por volta das nove da manhã. Cerca de trinta crianças estão em uma sede provisória, tomando café da manhã. Iogurte, pão e torta estão em cima da mesa prontos para serem devorados. O professor de capoeira Dejair Senzala puxa a prece que é feita antes da refeição. Todos fecham os olhos, o silêncio toma conta da espremida cozinha. Quando os olhos se abrem a festa começa.
Depois de todos bem nutridos as crianças são levadas para a rua. Um piso de concreto que restou de uma construção antiga a céu aberto, é o espaço utilizado.

No momento o sol brilha, se chover a brincadeira termina. A roda se abre, mas antes um alongamento para esticar os músculos, o berimbau embala as notas que começam a fazer os pés se deslocarem de um lado para o outro. Começa mais uma aula de capoeira.
Quase 150 crianças participam das atividades da associação. Além de capoeira eles praticam futebol, vôlei, fazem artesanatos com jornal e ações culturais como o boi-de-mamão e pau-de-fita. Laura Maria dos Santos é uma das coordenadoras do programa, segundo ela, a associação começou informalmente no ano de 2000, mas tomou forma em 2004 quando a prefeitura começou a pagar um salário para os professores.

Uma associação móvel
Mais de 400 crianças já passaram pelas matriculas do projeto que não tem sede. Segundo a professora e coordenadora pedagógica Isolde Heger Vieira, 53 anos, a associação ganhou um terreno da prefeitura, e agora a captação de recursos para iniciar a obra, será o próximo passo do grupo.Algumas empresas são parceiras do grupo doando alimentos e ajudando em partes das despesas. Voluntários também fortalecem o time para dar conta da criançada. Mas o fator que impede o melhor andamento do projeto é a falta de uma sede fixa.

As aulas são feitas em espaços improvisados. Até ano passado eles alugavam uma casa para receber as crianças, mas as verbas acabaram e tiveram que rescindir o contrato. “Como o projeto não tem sede, acaba se mudando para vários lugares do município impedindo de algumas crianças dar continuidade ás aulas”, disse Isolde.
A proposta para 2010 é a construção de uma sede, todo o planejamento da associação se resume em cima de conseguir seu próprio espaço.

Princípios de vida
O aluno Patrick Coelho Bussolo, de 11 anos, está há três nas aulas de capoeira. Ele estuda o ensino fundamental à tarde, e de manhã freqüenta as aulas na Pró-Brejaru. “Eu ficava em casa sem fazer nada, agora eu to sempre ocupado”, diz o menino. Segundo o professor Dejair Senzala, esta é uma oportunidade para ocupar o tempo das crianças, a fim de afastá-las da criminalidade e das drogas. Nas segundas e quartas é dia da capoeira, enquanto uma turma está na capoeira, outra fica fazendo os deveres. Nas terças e quintas, a associação dá aulas de futebol, além de trabalhar projetos culturais. “Eles acreditam no trabalho da gente por que a gente faz a diferença”, disse Senzala.

A professora Isolde ressalta sobre um novo projeto que está sendo implantado, “Coisas de Menina”. O programa trabalha com meninas de 10 a 19 anos da comunidade, discutindo temas como a gravidez precoce e questões específicas das mulheres. Além dos debates, as meninas aprendem bordado, costura fabricação de bijuterias e sushi. “As mais velhas ainda podem fazer cursos profissionalizantes de manicure e pedicure. No final ganham até um diploma”, destaca Isolde.

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