Wednesday, 7 October 2009

Sem ônibus

Jotur corta transporte de estudantes

Alunos do bairro Passa Vinte em Palhoça, estão sem transporte desde a quinta-feira da semana passada, devido ao bloqueio feito pela empresa de transporte Jotur, na linha circular centro-prefeitura. A Jotur diz que a linha é exclusiva para funcionários do município, a Secretaria Educação afirma que o passe para os estudantes usarem as linhas urbanas está sendo repassado. Moradores ainda mandam seus filhos a pé para a escola.Na última segunda feira, Giovanni Macedo, 14 anos, chegou à escola Ivo Silveira, que fica no centro da cidade, todo molhado da chuva. O garoto acabou pegando uma gripe. Sua mãe a dona de casa, Rosemar Macedo, diz que não sabe a causa do bloqueio do transporte.

Rosemar Macedo, 41 anos, tem dois filhos que estão passando dificuldades de ir para a escola. Ela tem dois filhos que freqüentam a escola Ivo Silveira no centro da cidade. Há três anos eles utilizavam a linha gratuita de ônibus, para fazer o trajeto. Mas desde quinta feira passada os dois caminham quase seis quilômetros até a escola onde estudam.

Os estudantes contam que na quinta-feira passada, um fiscal da empresa Jotur entrou no ônibus e disse que no outro dia a linha estaria proibida para eles. No dia seguinte os alunos foram barrados ao entrar no ônibus. “O fiscal foi grosso e se os pais não tivessem ali em cima era capaz de bater nos alunos”, contou o marido de Rosemar. A situação não foi esclarecida para os alunos e nem aos pais. “Se eles tivessem dado uma explicação antes, um mês antes, mas foi de surpresa”, reclama Rosemar.

Estudantes reivindicaram na prefeitura
Os estudantes organizaram um manifesto e foram ate a prefeitura cobrar explicações. A assessoria do prefeito, Ronério Heiderscheidt, disse que enviaria um pedido a câmara de vereadores e até segunda-feira desta semana, daria uma resposta aos estudantes. Até ontem nenhuma resposta foi dada aos alunos. No bairro Passa Vinte cerca de 20 estudantes dependem do transporte, fora os alunos do Pagani e centro de Palhoça. A maioria dos alunos freqüenta escolas no centro da cidade.

Como a prefeitura mudou para o bairro, muitas pessoas vinham de outras comunidades e desciam no centro para resolver questões na prefeitura, assim também como os funcionários. A prefeitura fez um contrato com a Jotur, criando uma linha para facilitar o acesso e diminuir o custo das pessoas que fossem até a prefeitura.

Secretaria diz que alunos devem receber passes escolares
Segundo a secretaria da educação de palhoça, Jocelete Isaltina Silveira dos Santos, os alunos em nível de ensino médio, devem receber passes que são enviados pela prefeitura para a diretoria das escolas. A secretaria afirma que só tem direito ao passe, alunos que moram mais de três quilômetros da escola que freqüenta. “Os alunos de ensino fundamental devem estudar nas escolas dos bairros, caso contrário os pais se responsabilizam pelo transporte dos filhos”, disse Jocelete. A secretaria afirma que está sendo feito um novo levantamento para detectar se as escolas estão repassando os passes.

Jotur diz que passes são repassados
Segundo Renato Thristh, gerente operacional da Jotur, a linha centro-prefeitura foi instalada para uso exclusivo dos funcionários do município, e a entrada só seria permitida apresentando o crachá. Como havia pessoas que vinham de outros bairros prestarem conta com a prefeitura, para que essas pessoas não pagassem outra locomoção, foi autorizado o pegar o transporte somente para fazer os serviços e voltar até o centro. A comunidade começou a utilizar a linha desde então. Renato informou que devido ao excesso de passageiros, o ônibus teve que ser restrito. Ele ainda afirma que os estudantes deveriam entregar os passes ao usar a linha, mas confessa que nunca foi fiscalizado.

Segundo ele os alunos estariam recebendo os passes que são repassados pelas escolas, e usando para outra finalidade. “Os alunos deverão fazer uso das linhas urbanas que passam nos bairros, onde serão cobrados os passes que eles recebem”, disse Thristh.
A mãe de Giovanni e Miriam rebate “Se meus filhos tivessem recebendo o passe, não estaria indo a pé. Se eles dizem que os estudantes são o futuro do país, como vão ser, se são barrados para entrar no ônibus e ir á escola?”, reclama Rosemar.

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